Ao acordar ergue a cabeça e anda
mas vai sem rumo, onde libera o corpo
e as palavras que procura canta
vai escrever meio que por encanto.
Logo de cara tenta um verso livre
quer ser moderno e fugir da métrica
acha difícil, pois do verso vive
mas não desiste da procura estética.
Não usa regras, quer parecer nobre
mas da pobreza vem a tua escrita
quer ser bonita mas é apenas pobre,
apenas pobre de marré de si.
Em seguida tenta o verso branco
e abandona o uso da rima
se faz de gago em sua epopopéia
prosopopéia
melodia.
Volta a rimar em momento dócil
e a fazer os versos decassílabos
procura gênero, gesto, gente e signo
usa a gramática em um apelo fácil.
E a gramática pra que não vire fóssil.
E a gramática pra que não vire fóssil.
E a repetir pra parecer enfático.
E a repetir pra parecer difícil.
E repetindo foi ficando chato.
Lá pelo meio tenta ser dramático,
inventa histórias, quer ser narrativo,
Não é romance, nem novela ou conto
mas um poema meio apelativo.
Dissertativo.
Repetitivo.
Chega no fim resolve ser concreto.
Direto.
Reto.
Meio esquisito.
Pelo tamanho acha que fez o épico
do
poema
mal
escrito.